Tenho pensado muito. Tenho tentado esquecer muito. Tenho planejado muita coisa ultimamente, sem mesmo saber se elas vão ter força para serem realizadas. O que sei é que minha força não vai faltar. Não agora. Não se eu cheguei até aqui. A festa é só o início de tudo. Quando tu coloca o primeiro gole na boca, tu percebe que cada vez tu quer mais e mais. E aí é que entra toda aquela história de se embriagar. Se for pra me embriagar que seja com a tua presença. Que seja com as tuas palavras ao pé do meu ouvido. E que teu peito seja minha moradia. É assim que eu quero ser: Um bêbado eternamente apaixonado. Um bêbado de amor. Um bêbado pelo vício do amor. E que jamais eu tenha que me levantar e ir pra casa. E que jamais o garçom diga para mim que acabou, e que já é hora de parar.
As teclas, ultimamente, tem sido meu ponto de escape. Minha cara, meu lar. Talvez até mais do que alguém possa imaginar. Eu tenho sonhado com isso, toda noite. Sonhado. Nelas eu posso realizar acordes e sei que não te perco por dentre meus dedos. Ali, sentado na frente daquelas pequenas teclas, eu sei que você é minha. É onde eu te desejo. Onde eu te imagina. É onde você não escapa. Eu te tenho por inteiro. Tu me tens por inteiro. Com algumas teclas e alguns semi-tons, te busco, te procuro, te perco a cada nota errada, mas te encontro em cada nota alta completada. Te faço viver. Crio um mundo especial. Meu infinito contigo. E isso não acaba por aqui, só acaba quando eu quiser. Eu sou dono desse mundo. Do meu próprio mundo. Esse mundo, que por mais tolo e infantil que seja ele é todo seu. Eu sou um criador de universos, e criei o meu junto ao teu. Porque é assim que deve ser. Minha palavra junto com a tua. Meu dedos te acariciando levemente, enquanto tudo lá fora pode desabar, eu te tenho aqui. Te protejo e te resguardo num simples toque.
O céu não pode ser mais o limite. E eu estou aqui para provar que a galáxia ainda vai ter muito o que falar sobre nós dois. Eu e você. Nosso universo particular.

